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Design

Minimum viable research

Como fazer pesquisa com usuários sem frustrações

Paula Fregenal
Paula Fregenal UX Researcher
· 7 min read
Translated from English | Also in: Español , English
Diagrama de fluxo mostrando as etapas de UX research, UX design, UI design, Development e Testing

Você tem clareza sobre como os usuários percebem seu produto? Como designers ou desenvolvedores, enfrentamos essa pergunta em algum momento, seja implementando uma nova funcionalidade ou iterando sobre um produto existente. No entanto, sabemos que prazos apertados e recursos limitados podem fazer com que a pesquisa com usuários pareça um desafio difícil de enfrentar pelo tempo e investimento envolvidos.

Para responder a essa pergunta, na Nareia criamos uma abordagem ágil que chamamos de Minimum Viable Research (MVR). Esse método nos permite obter insights valiosos, validar o produto de forma rápida e eficiente, sem comprometer prazos ou inflar custos.

Neste artigo compartilhamos com você no que consiste o MVR e como o realizamos nos projetos dos nossos clientes.

O que envolve um MVR?

Trata-se de uma pequena etapa de pesquisa com usuários que não compromete o roadmap nem os recursos disponíveis do projeto, mas serve para validar hipóteses e fazer novas descobertas.

A fase de pesquisa dá aos projetos de design um valor excepcional. É uma ferramenta de pesquisa onde se descobre o verdadeiro potencial do produto, o impacto que terá nos usuários, as oportunidades de mercado que existem e mitiga o risco de construir algo que os usuários não querem usar; em resumo, é uma peça-chave para tomar as decisões certas e inovar.

Sabemos que essa fase de pesquisa muitas vezes é percebida como custosa e que nem sempre fica claro o que fazer com os resultados obtidos. Na Nareia nossa intenção é tentar mudar essa percepção realizando um minimum viable research que se concentre em obter os insights mais relevantes de forma rápida e eficiente, garantindo que as decisões de design e desenvolvimento se baseiem nas necessidades e expectativas reais dos usuários.

O MVR requer tempo de design dedicado à pesquisa, o que nos permite otimizar na hora de tomar decisões de design. Em vez de trabalhar com suposições que poderiam nos levar a explorar múltiplas opções irrelevantes para o usuário e fazer com que desenvolvamos um produto que precise ser corrigido uma vez no mercado, desenhamos e desenvolvemos com base nas descobertas da pesquisa, garantindo que nosso trabalho seja mais eficiente e focado no que realmente importa.

Como fazemos?

Nossa abordagem de Minimum Viable Research (MVR) combina agilidade, criatividade e experiência para obter insights acionáveis sem comprometer prazos ou orçamento.

1. Planejamento ágil

Antes de começar, nos sentamos para definir um plano simples e direto. Identificamos:

  • Os objetivos principais do projeto.
  • As perguntas-chave que queremos responder.
  • As ferramentas ou métodos que usaremos para obter insights rápidos.

Esse passo garante que cada minuto investido esteja alinhado com as prioridades do negócio.

2. Definição do problema

Em vez de pular direto para as soluções, nos concentramos em entender o “porquê” por trás de cada desafio. Validamos nossas hipóteses com o negócio para garantir que investigamos o que realmente importa.

3. Identificação do público-alvo

Nos certificamos de conhecer os usuários que representam o mercado e de que estamos dedicando tempo para estudar esse público, sem desperdiçar tempo coletando informações sobre perfis de pessoas que não são relevantes para o produto.

4. Métodos rápidos e eficazes

Dependendo das necessidades do negócio, aplicamos táticas específicas que requerem pouco tempo e recursos:

  • Redes sociais e avaliações online: Exploramos o que os usuários (e os usuários da concorrência) estão dizendo sobre o produto.
  • Métricas e estudos anteriores: Se o produto já tem métricas ou estudos anteriores, os incorporamos à pesquisa para não começar do zero.
  • Pesquisa guerrilha: Nos aproximamos dos usuários em seus ambientes habituais para observar e fazer perguntas.
  • Insights do suporte ao cliente: Analisamos consultas e reclamações frequentes para identificar áreas-chave de melhoria.
  • Aliados de recrutamento: Colaboramos com membros da equipe do cliente que interagem com os clientes para facilitar entrevistas com usuários.

5. Feedback contínuo e iteração

Integramos pontos estratégicos no design onde os usuários podem nos dar feedback, seja através de formulários ou feedback in-app.

Esse ciclo contínuo garante que o design evolua com base em dados reais.

6. Desenvolvimento de métricas

Para entender como os usuários interagem com o produto final, podemos estabelecer pontos de medição dentro da experiência para avaliar os diferentes caminhos que os usuários percorrem. Esses pontos são selecionados com base na relevância para o negócio e nas hipóteses definidas durante a pesquisa.

Dessa forma, podemos identificar quais aspectos estão funcionando corretamente e quais precisam de melhorias, nos permitindo iterar e ajustar o design de acordo com os resultados obtidos.

7. Adaptabilidade ilimitada

Sabemos que nem tudo sai como planejado, então somos flexíveis. Se um método não é viável, encontramos alternativas criativas para continuar obtendo insights relevantes.

Além disso, nem todos os passos são necessários para cada processo; alguns podem ser trocados ou substituídos dependendo das necessidades, orçamento e objetivos.

Quais resultados você obterá com um MVR?

Minimum Viable Research não se trata apenas de pesquisa rápida, mas também de obter informações práticas e, acima de tudo, acionáveis que impulsionem o sucesso do produto. Através dessa abordagem ajudamos o negócio a alcançar resultados concretos como:

  1. Identificação de necessidades e problemas-chave que os usuários enfrentam com o produto.
  2. Validação antecipada de hipóteses. Nos permite saber se os usuários entendem e valorizam a proposta do produto.
  3. Recomendações concretas de design. Os dados coletados são transformados em sugestões claras e práticas tanto para as equipes de UX/UI quanto de desenvolvimento.
  4. Priorização de melhorias com impacto. Isso garante que os recursos sejam otimizados focando no que realmente importa.
  5. Redução de riscos antes do lançamento. Evita custos associados a redesigns ou correções após o lançamento em produção e reduz avaliações negativas.
  6. Insights para decisões futuras. A pesquisa gera aprendizados duradouros sobre os usuários e seus comportamentos que podem ser aplicados em futuras iterações do produto.

Tempo e recursos

Embora cada projeto seja único, nossa experiência mostrou que podemos alcançar resultados confiáveis e acionáveis com o seguinte investimento:

  • Dois designers
  • 20 horas por designer
  • 5 a 6 entrevistas com usuários

Isso significa que em um período de uma semana é possível realizar uma pesquisa que não comprometa o roadmap e ao mesmo tempo garanta que os esforços e recursos estejam focados em agregar valor ao produto.

Esquema de roadmap comparando timelines com e sem pesquisa de usuários

Um caso de uso

Com um dos clientes com quem realizamos um MVR, executamos um teste de usabilidade durante uma semana com o objetivo de mudar o design da tela principal do aplicativo, a home screen.

Esse redesign envolvia um grande risco porque passamos de uma home screen muito simples com apenas uma informação, para uma mais complexa onde incluímos acesso a diferentes serviços do produto e uma grande mudança na navegação para acessar as informações.

Comparação antes e depois dos wireframes da home screen

O esforço realizado foi de:

  • 1 designer
  • 19 horas
  • 6 testes de usabilidade com usuários

Durante esse MVR pudemos comprovar que a maioria das mudanças tinha sido positiva, mas precisávamos ajustar alguns affordances, como a navegação horizontal para que os usuários descobrissem parte do conteúdo que tinha ficado oculto. Também descobrimos outros problemas mais profundos que afetavam a identidade de marca do produto.

Em resumo

O MVR busca realizar pesquisa rápida e eficaz, utilizando apenas os recursos necessários para não afetar os prazos do projeto e ao mesmo tempo agregar valor ao produto final.

Sua principal força está na flexibilidade, já que pode ser aplicado durante fases de descoberta para identificar problemas e necessidades dos usuários, ou em etapas de validação antes do desenvolvimento para confirmar se uma solução proposta atende às expectativas dos usuários.

Ao priorizar hipóteses-chave, simplificar processos e fomentar ciclos de feedback, o MVR permite tomar decisões informadas, garantindo que o design se alinhe com as necessidades reais dos usuários sem comprometer os prazos do projeto.

Na Nareia consideramos importante incluir etapas de pesquisa mesmo em projetos com orçamento apertado. Graças aos insights que descobrimos durante a pesquisa, nos ajuda a agilizar o processo de design e desenvolvimento focando em investir no que o usuário realmente precisa e dá maior valor ao negócio.

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