Pé Nareia: nosso esquenta para o Punta Tech 2026
A primeira vez que fui ao Punta Tech foi em 2018. A Nareia já existia — tínhamos fundado em 2015 — mas éramos um grupo de engenheiros da fing que sabíamos escrever código, como não criar produtos e pouco mais. Estávamos incubados no Ingenio desde 2017, buscando ajuda em tudo que nos faltava: organizar uma empresa, vender, pensar como negócio. E encontramos (um dia vou escrever sobre a vivência no Ingenio, porque essa etapa nos marcou de formas que ainda se sentem). Não tínhamos dinheiro para o ingresso do Punta Tech, mas o Ingenio doou para alguns incubados e eu consegui um.
Oito anos depois, fomos sponsors do Punta Tech e organizamos um side event oficial como esquenta. As voltas da vida.
”Pé nareia”
O evento se chamou “Nareia warm-up: Outsourcing estratégico em Fintech”. Warm-up porque foi literalmente umas horas antes do Punta Tech — o pessoal saiu do nosso evento direto para o principal. E “pé nareia” é um jogo de palavras com “pé na areia”, que além disso brinca com nosso nome. A gente gosta de fazer as coisas com os pés no chão (e melhor ainda na areia). Sem pedestais, sem fumaça.
Faz tempo que vínhamos analisando como participar do Punta Tech de uma forma que nos representasse. Não queríamos só colocar um logo num banner. Queríamos gerar algo de valor real, conversas que importassem. Então montamos esse encontro a poucos metros da praia Montoya em La Barra, com umas 50 pessoas que realmente estivessem na trincheira do fintech.
O título falava de outsourcing estratégico, mas o que também queríamos era discutir outra coisa: o que acontece quando a relação entre um time de tecnologia externo e seu cliente deixa de ser transacional e se torna algo mais. Ou melhor: como fazer isso acontecer?
O painel que nos devíamos há anos
Tínhamos uma conta pendente com a Redpagos e a Midinero. Trabalhamos juntos há sete anos com a Miredpagos e já vários com a Midinero (a empresa que nasceu na Redpagos para revolucionar as finanças digitais no Uruguai). E nesse tempo vivemos de tudo: momentos de tensão, decisões difíceis e aprendizados que não estão em nenhum livro de product management.
Sempre quisemos contar essa história. Não a partir de um case study polido, mas a partir da honestidade do que realmente significa construir produtos digitais juntos durante tanto tempo. Os erros, as discussões, os pivôs às seis da tarde numa sexta nos primeiros dias do mês…
E assim nasce o painel de negócio chamado “De fornecedor a partner: o desafio de construir juntos a longo prazo”. Estivemos Diego Mello da Redpagos, Fernando Acerenza da Midinero e eu. Moderou Lucila Bonilla, minha prima, que vem do mundo da economia (foi assessora do Banco Central do Uruguai), e que fazia tempo que eu queria que se aproximasse da comunidade Nareia. Seu olhar de fora do tech deu ao painel uma perspectiva que não teríamos conseguido sozinhos.
Falamos sem filtros. Do que significa se meter de verdade no negócio do cliente, não só executar tickets. De como se constrói junto, e até dos produtos da Midinero e Miredpagos, dado o impacto na vida cotidiana de milhões de uruguaios.
Abrindo a cozinha técnica
Não queríamos que o evento fosse autorreferencial. A Nareia falando de como a Nareia é legal não serve para ninguém (e um pouco a gente tinha que fazer, era o fio condutor). Então montamos um segundo painel com CTOs e líderes técnicos de outras fintechs: Guillermo Dotta da AstroPay, Miguel Castro da Totalnet e Sebastián González da Inswitch. Johann, nosso CTO, moderou.
O tema: “Arquiteturas e os desafios técnicos de abrir a cozinha”. O que acontece com a segurança, a governança de código, as arquiteturas híbridas quando você integra times externos em operações críticas. Coisas que se discutem pouco em público mas que todo mundo que trabalha em fintech vive todos os dias.
E nesse contexto surgiu algo que não estava no plano: para conseguir speakers do segundo painel me aproximei da CUF (a Câmara Uruguai Fintech), e terminei saindo de lá como partner! Haha. Me venderam a ideia e na real adorei. Conheci o que estão construindo: é uma comunidade que está crescendo com força e sentimos que temos muito para somar. Organizar esse evento para o público-alvo deles foi a forma ideal de começar. E a ideia é fazer mais!
Networking de verdade
Deixamos espaço para networking (não tão longo quanto gostaríamos — tomara que tenha continuado no main event). Mas não o networking de troca superficial e “depois te escrevo”. Sabíamos que se os painéis disparassem as conversas certas, o networking de valor aconteceria sozinho. E foi assim.
Quando o conteúdo é genuíno, as pessoas aproveitam. Se aproximam, perguntam, discutem, compartilham. Você não precisa de dinâmicas forçadas nem icebreakers artificiais. Precisa que o que foi dito no palco tenha mexido com algo dentro de cada pessoa.
O feedback foi incrível. Nos divertimos demais.
O ciclo que me fez pensar neste artigo
Ser sponsors do Punta Tech e fazer um warm-up oficial como esquenta foi uma decisão que vínhamos amadurecendo. A lógica era simples: aproveitar que já vem gente de todo o ecossistema tech para o evento, e criar um espaço prévio de conexão mais profunda. Já tínhamos feito em outros países com sucesso — era hora de fazer na nossa terra.
Mas o que mais me move é o ciclo da história. Em 2018 entrei no Punta Tech com um ingresso doado, representando uma Nareia que ainda estava aprendendo a andar. Em 2026 voltamos como sponsors, organizando nosso próprio side event oficial, com clientes de quase uma década sentados ao nosso lado contando os produtos que construímos juntos.
Não digo isso desde a épica. Digo desde a gratidão. Ao pessoal do Ingenio (e do LATU) que doou aquele ingresso e nos ajudou a crescer. A Juan Pablo Nuñez, Diego Mello e Fernando Acerenza que entraram na ideia sem hesitar. Aos speakers do painel técnico que abriram sua cozinha e coração. À CUF pela recepção. À Lucila por colocar sua marca. E ao time da Nareia que fez tudo isso acontecer (estreia incrível da Flavia como mestra de cerimônias :p).
Pé na areia, sempre.
Se você trabalha em fintech ou em tecnologia e se interessa por esse tipo de conversa, siga a Nareia e a CUF. Isso é só o começo.